18 novembro 2014

A Mitologia dos Orixás: Ogum.


O senhor da guerra, guerreiro do divino combate interior entre o certo e o errado, a luz e as trevas. Ajuda na superação dos defeitos comportamentais e dos vícios prejudiciais a saúde e a elevação do espírito. Irmão de Exu, abre caminhos para o novo, vence demandas contra as negatividades e auxilia na realização de projetos, eliminando dificuldades eventuais. Ogum é temperamental e intempestivo e tem como principal desafio vencer a si mesmo.

É costume dizer-se que existem 7 (sete) clãs de Ogum, sendo as formas mais conhecidas: Lebede ou Ogum-de-Le (o jovem), Meje (o sétimo e o velho), Obefaram, Mika, Ogumfa (mora com Ososi e Esu), Xoroque (vive nos portões e nas estradas com Esu).

DIVIDIDOS

Conta a lenda que Iansã era companheira de Ogum antes de se tornar a mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum, Rei dos Ferreiros, no seu trabalho. Carregava docilmente seus instrumentos da casa à oficina. E aí ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogum ofereceu a Iansã uma vara de ferro, semelhante a uma de sua propriedade, que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres, que por ela fossem tocadas no decorrer de uma briga. Xangô gostava de vir sentar-se a forja apreciar Ogum bater e modelar o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Iansã. Esta, por seu lado, também o olhava furtivamente. Segundo um contador de histórias, Xangô era muito elegante. Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher. Sua imponência e seu poder impressionaram Iansã. Aconteceu então, o que era de se esperar: ela fugiu com ele. Ogum lançou-se à sua perseguição. Ao encontrar os fugitivos, bradou sua vara mágica e Iansã fez o mesmo, eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim Ogum foi dividido em sete partes e Iansã em nove. Ele recebeu o nome de Ogum-Mége-Iré e ela Ìyá Mésàn.
  
A SUA IRA

Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho, mas infelizmente, as pessoas da cidade celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente durante muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ogumjajá, que vem da frase Ogum je ajá (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de Ogumjá. Satisfeito e acalmado, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou.

DISPUTANDO COM XANGÔ

Ogum e Xangô nunca se reconciliaram e, vez por outra, se degladiavam nas mais absurdas disputas. Certa vez Ogum propôs a Xangô que dessem uma trégua em suas lutas, pelo menos até a próxima lua que chegaria. Xangô fez alguns gracejos aos quais Ogum revidou, mas decidiram por uma aposta, continuando assim a disputa.
Ogum propôs que ambos fossem à praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem e quem vencesse daria ao perdedor o fruto da coleta.
Deixando Xangô, Ogum seguiu para a casa de Iansã e solicitou-lhe que pedisse à Ikú (a morte) que fosse à praia no horário em que ele havia combinado com Xangô. Iansã exigiu uma quantia em ouro, o que prontamente recebeu de Ogum. Na manhã seguinte, Ogum e Xangô se apresentaram na praia, iniciando a disputa.
Vez por outra se entreolhavam e Xangô cantarolava sotaques jocosos contra Ogum. O que Xangô não percebeu é que Ikú havia se aproximado dele. Xangô levantou os olhos e se deparou com Ikú que riu de seu espanto. Xangô largou sua sacola com os búzios colhidos e desesperado se escondeu de Ikú. À noite Ogum procurou Xangô mostrando seu espólio. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta".



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